Poema da dissolução

Quando chove
Ah, quando chove
eu não sei
meu coração escorre

É tão bonito
Tanta água
Brilho na árvore
Gotinhas como brincos

Quando chove
Quando chove
Sou olhos de lágrima
Sou o céu que cai
Sob a casa que eu era
E agora deixo rio-ir…
Braços abertos
Molhados
Sou uma emoção
Que se umedece
Indizível poesia correndo nas valas
Escorre em mim
Nem corpo eu mais tenho
Engolida por um amor-enxurrada.

Quando chove
Eu só vejo os olhos de Netuno.

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