Fibras da memória

Quem me trouxe aqui,
já tão ardida de fuga?

Sem me conhecer.
(Não há cais para o fim do mundo.)
A minha renúncia.
Porque talvez já seja tarde demais
E as feridas, profundamente entrelaçadas
Ao ser que não conheço.
Este, da cara dura, de vincos.

Abro mão de ti, meu ódio-amor, vida que tanto quis conhecer.
Estarei mais próxima de minha carne.

E isto dói, dói fundo, dói sempre.
Arrancar a ânsia de vida à força
do tecido-coração.

Mas não se anseia vida em meio à impossibilidade;
apenas vive-se com os pés no chão, um olhar imune.
Pela terra se passa. E se torna ao pó dos dias.

Deixe um comentário