Minhas palavras afogadas.

SP, Brasil, 2018.

Não sou este nome que me reveste, nem também as fatigadas tentativas de compreensão.
Nada disto me pertence e não me importa enquadrar minhas palavras em um esquema de ordenação.
Prosa, poesia, teatro, ensaio — who cares?
São apenas palavras, de toda maneira, nem a vida são…
Apenas palavras. E eu não sou esse ser que as cria. No entanto, sou; vivo e as crio sem parar. Revivo a vida em imagens, crio-as e recrio-as em gesto, na ânsia por capturar alguma eternidade, rastro de algum lampejo de compreensão.


Se me dedico a escrever — necessito como respirar, as imagens são meu ar — é simplesmente porque piso sobre ausências.
E são todas escorregadias.
Falta algo, falta fibra.
Em algum lugar de mim eu já não vivo, porém tampouco morro.
As palavras já cessando de chegar à praia. Escassas.
Alguma parte minha não conheceu a vida e agora a tenta imaginar, em busca de oxigênio, num esboço de sentir um pulso maior que a vítima da necessidade de inventar.
Um fardo que não deixa se viver uma vida real, sem personagens.
Pois me tornei uma personagem afogada de mim mesma e não posso viver apenas. Apenas viver.

Mas será que existe mesmo isso de vida real e de diferença entre o real e o imaginado?
Não será, talvez, tudo inventado — inventado até que pareça real?
Em algum lugar não seríamos, talvez, todas vítimas deste querer pisar outro chão — um sem ausências, de raízes?

Deste querer que nos tira de um viver ausente rumo a outros e nos dá a possibilidade de assim recriar mundos além de si mesmo?
Porque poemas são tentativas de morte; não são, porém o seu gesto. Talvez por isso sejam, afinal a vida…

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